Maria Conceição

A Maria da Conceição não era conhecida do grande público, mas a GQ decidiu inverter a situação. Não por ela, mas por aquilo que ela representa. A esperança, a energia e a vontade de fazer a diferença. De ajudar quem precisa mas nunca pede, e quem dá sem nunca pedir de volta. Vem de uma família assim. Ela própria é fruto da generosidade alheia… E está na altura de a conhecermos a ela e ao seu trabalho um bocadinho melhor.

1) Maria, conte-nos o momento em que decidiu que ia mudar a sua vida para garantir os estudos e formação das crianças carenciadas do Bangladesh.

Inicialmente não foi nada planeado, quando conheci as pessoas da comunidade da favela Guwair só os queria ajudar. Nunca imaginei que se tornasse em algo tão grande ou que mudasse tanto a minha vida. Numa das minhas paragens pelo Bangladesh com a Emirates Airlines, visitei um hospital que estava em tal condição de decadência, em tal pobreza que não consegui comer durante o resto do dia. Cancelei as férias que tinha planeado para o mês seguinte e angariei doações para voltar e ajudar. Quando regressei, o hospital não aceitou a minha ajuda… e eu tinha 100 kgs de itens doados para os pobres, por isso comecei a visitar orfanatos e levaram-me a uma pequena comunidade numa favela… era Gawair. Sempre que podia regressava, recolhendo doações no Dubai pelo caminho. Quanto mais tempo passei lá, mais potencial vi naquelas pessoas, especialmente nas crianças, tivessem elas oportunidade.

Desenvolveram-se vários projectos e recebi cada vez mais apoios do Dubai e da Emirates Airlines. Eventualmente já tínhamos aberto uma escola, clínicas, dentista e vários pequenos negócios para a comunidade. A determinada altura, chegámos a ter 600 crianças na nossa escola.

2) Em 2013, tornou-se a primeira mulher portuguesa a escalar o Monte Everest, em prol da fundação Maria Cristina. Consegue descrever a sensação de estar no topo da montanha mais alta do mundo? Como foi toda a experiência?

Nos primeiros segundos depois de chegar ao cume senti uma enorme realização. Foram 7 semanas até ao pico e foi um alívio chegar, finalmente. Mas depois, imediatamente a seguir, fui inundada por um imenso sentimento de solidão, e alguns pensamentos ainda mais “negros”, como “será que valeu a pena? Será que vou conseguir angariar fundos suficientes? Tenho oxigénio que chegue? (o meu guia e Sherpa tinha  ficado para trás depois de ficarem doentes com a altitude)? Será que vou conseguir fazer a descida (a maioria das fatalidades nesta caminhada são no caminho de regresso, uma vez que os alpinistas estão exaustos e começam a cometer erros)?

3) Subir o Everest, correr distâncias inacreditáveis, atravessar o Canal da Macha a nado… Que desafios vislumbra para o futuro?

Neste momento há uma imensidão de possibilidades. Recebo muitas sugestões sobre escalar mais montanhas, fazer desafios de corrida ainda mais extremos, etc. Mas por agora ainda não decidi nada. Tenho de ser muito cuidadosa, os desafios têm de ter o potencial de recolher muitos fundos para a fundação. Estes desafios levam meses a preparar e há custos associados, que idealmente serão patrocinados por uma empresa ou indivíduo. Por isso o resultado (em termos de fundos angariados) tem de valer a pena.

4) O que sentiu quando subiu ao palco da gala GQ para receber o prémio de Mulher do Ano?

Extremamente nervosa! Sou uma pessoa muito introvertida e fico envergonhada quando tenho muita atenção. Ao mesmo tempo foi uma grande surpresa. Sou uma pessoa que trabalha arduamente e foco-me muito naquilo que faço, tanto que às vezes não me apercebo que há pessoas que seguem o meu trabalho, apesar de o fazer para aumentar a awareness publicamente. Para mim continua a ser trabalho, dar visibilidade à fundação. Não faço o que faço para ter reconhecimento pessoal.

 Ainda assim é fantástico receber este tipo de reconhecimento, até porque desta forma a fundação também ganha visibilidade e o objectivo fica cumprido.

5) De que forma é que os leitores do BlueGinger podem ajudar a fundação e contribuir para a educação destas crianças?

Precisamos sempre de apoio financeiro, por isso podem enviar doações para a nossa conta de banco portuguesa (detalhes no site). Também estamos sempre à procura de voluntários que queiram passar algum tempo nas favelas do Bangladesh – o trabalho passa maioritariamente por dar formação às crianças, mas também há algum trabalho administrativo. É um trabalho árduo num ambiente difícil, mas é muito gratificante.

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