Burning Man Experience

A forma como és recebido no Burning Man é absolutamente inacreditável, existe quase um ritual de passagem para a entrada na Black Rock City, em pleno Mojave Desert. Há muitas pessoas à espera para receber os carros que vão chegando, e tens de entrar no jogo. Sais do carro, deitas-te no chão e fazes anjinhos na areia, “embracing the desert”. Tocas numa gongo e dizem-te “Welcome Home” – porque o teu “inner spirit” pertence à Black Rock City.

É uma experiência difícil de transcrever em palavras, é tudo muito sensorial. Mas eu vou tentar.

Sem acesso a água potável, tens de levar tudo contigo, inclusivamente os litros de água que vais beber e a comida. Eu fiquei numa tenda yurt, partilhada com outras pessoas que dificilmente vão ver aqui no blog porque uma das regras do Burning Man é não fotografar as outras pessoas, a não ser que elas te dêem ordem expressa para tal. No entanto, acho que toda a filosofia anti redes-sociais tem vindo a cair por terra – todas as grandes influencers e trendsetters estavam lá e foram postando muitas fotografias da experiência. Mas a verdade é que enquanto estás no Burning Man facilmente te desligas deste mundo, tudo o que queres fazer é realmente aproveitar as festas, a música, o ambiente, divertires-te ao máximo. Há festas de manhã à noite, o Burning Man não pára. E pelo meio disto tudo ganhas uma nova perspectiva sobre a vida, sobre o teu lugar no mundo e a forma como interages com a natureza.

Agora que falo na Natureza, ela é realmente um elemento fulcral no Burning Man. O festival é fantástico mas nem sempre fácil . Durante o dia chegam a estar 50º, há tempestades de areia em que não consegues ver nada e que tens mesmo de andar com goggles e máscara, ou comes metade do deserto logo ali. À noite dizem que é muito frio mas por acaso não senti isso, esteve sempre bom tempo. Mas a natureza é realmente uma força muito forte no festival. A política de sustentabilidade e de respeito pela natureza é visível em tudo, desde o facto de não haver qualquer vestígio do festival após o fim do mesmo (as equipas de voluntários estão neste momento e durante a próximas semanas a desmontar e limpar tudo), ao cuidado dos próprios festivaleiros em não deixar uma beata ou sequer uma pena ficar no chão. Trata-se de uma reserva natural e é preciso preservá-la.

Outro elemento interessante no Burning Man é o facto de, lá dentro, não existir dinheiro – é tudo à base das trocas. Num dos dias, queria uns óculos e tive de cantar uma música pimba para o ter. Ou dançar, ou dar uma gargalhada, ou fazer um stamp (lamento desiludir-vos mas aquilo que vêem em algumas das fotos não é uma tatuagem, é só um carimbo). É uma realidade à parte.

  • PUB

  • Instagram

    No images found!
    Try some other hashtag or username
  • Facebook

  • PUB